Essa pergunta que não quer calar! Geralmente os bolsistas passam despercebidos, pois muitos tem vergonha de serem bolsistas… Até que ficam desesperados porque estão com notas ruins e começam a reclamar: “Não posso tomar “pau”! Sou bolsista! Não posso perder minha bolsa, se não meu pai me mata!!!” Aí todos ficam sabendo quem é o bolsista.

À partir do PROUNI então… A bolsa pelo PROUNI foi apelidada de “Bolsa dos Pobres” devido a quem as mesmas se destinam e no início foi dito que muitos desses pobres não conseguiriam se manter na faculdade devido ao fraco estudo da rede pública…O que provou-se não ser verdade. A imprensa divulga constantemente que o desempenho dos alunos do PROUNI é maior do que os do não bolsistas no ENADE. (Veja a matéria do Último Segundo) Os resultados acadêmicos são também positivos como informou o “Universia” (leia a matéria).

A maioria dos alunos bolsistas do PROUNI e portadores de outros tipos de bolsas também é superior às médias estabelecidas pelas faculdades, ficando estes alunos com médias entre 7 e 9, um índice bem alto. Veja matéria do MEC.

Mas quem é este bolsista? Porque se destacam tanto?

O bolsista, excetuando as bolsas das Universidades e faculdades particulares que adotam o sistema de desempenho para concessão de bolsas, é um indivíduo pobre e que, segundo as estatísticas e da própria contingência da vida e sobrevivência, provavelmente não teria condições de custear sozinho as despesas de mensalidade de um curso superior.

Eu por exemplo. Estudei o primeiro ciclo em escolas particulares… Escolas públicas quase não tinham vagas e a oferta de vagas praticamente só aumentou no Rio de Janeiro no governo de Leonel Brizola, quando criou os “Brizolões”. Depois fui para o interior e cursei o antigo primeiro grau em escola pública. No segundo grau estudei à noite, pois precisava trabalhar pra ajudar minha família e também na rede pública. Por motivo de trabalho também acabei por ser reprovado no 3º do 2º grau por falta e abandonei os estudos. Só voltei a estudar em 2000 quando terminei o 2º grau por módulos no programa de supletivos do Governo do Estado.

Sempre fui bom aluno e graças a Deus tive boa educação familiar, mas somos uma família pobre. Sou o primeiro de todo ramo de minha família que me formarei em nível superior, antes fiz curso de auxiliar de enfermagem, entre outros, mas o sonho do nível superior, de ser advogado esbarrava na alta competitividade das Universidades públicas federais e estaduais. Alunos que estudaram inglês de alto nível desde a infância e em escolas que aprovam turmas inteiras e ainda faziam cursinho pré-vestibular nas horas vagas para reforçar as chances… Quem busca escola pública é porque não tem condições de fazer isso… e ainda tem que trabalhar… As chances são mínimas…

Ficava triste quando bons alunos, pessoas inteligentes, mais do que eu, que buscavam fazer estas provas e não conseguiam bons resultados e então me decidi: não farei vestibular para as federais e vou investir em um curso superior particular…COMO!?!? Apenas tive fé em Deus e esperei… Então surgiu o PROUNI… Que prometia democratizar o acesso à escola sem ser um programa assistêncialista. Ali estavam me dando a vara e a isca…o peixe era comigo!

Em 2005 quando me inscrevi eu falei comigo mesmo: ano que vem, no início do ano, estarei na faculdade…e aqui estou eu…às portas de terminar meu curso!

O bolsista é mais que um pobre que ganhou uma chance. Ele é um guerreiro que recebeu a espada quando o inimigo já estava com a mão em seu pescoço… Ele faz acontecer aquele dizer do Hino Nacional; “Verás que um filho teu não foge à luta…

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