Sei que o meu diário está meio atrasado, mas espero que você entenda… Como disse no primeiro “Post”, só decidi fazer ele agora…

A Faculdade Promove não faria prova para quem escolheu estudar na instituição para classificação dos candidatos às bolsas. Isso significava que era só a documentação estar correta que a matrícula estava garantida.

No dia da matrícula encontrei outros bolsistas na sala de espera. Pessoas das mais diferentes origens. Tinha branco, mulato, negro e até uma menina com aparência de ser indígena mesmo, mas não perguntei… Uma pessoa tentou fazer matrícula como bolsista mas não colou. Vi que a “coisa” era séria. Ele era funcionário público (não vou dizer de que esfera nem o órgão, se não poderiam identificar o sujeito, afinal, nem todo mundo passa no ENEM). Apresentou um contra-cheque de dar inveja em qualquer professor do ensino superior, isso mesmo, não é professor de ensino fundamental…que nesse país…deixa pra lá… Enfim…Disse que teria direito a bolsa pois era negro… Acho que ele não leu a Lei (a 11.096/05 que eu mencionei antes), pois nela está claro como a água: qualquer pessoa que se enquadre como minoria, MAS que a renda não ultrapasse o limite estabelecido… Ele tinha renda pra quase todo mundo da sala de espera…

Chegou a minha vez e eu tinha colocado que minha “raça” (termo discutível) era afrodecendente (mas lá tava negro mesmo…) ou seja pardo (como colocavam nas certidões antigas). Como é que alguém pode ser chamado de pardo? O que é pardo? Deixa pra lá? O “pardinho” aqui apresentou a documentação, inclusive a que dizia que ele era pardo e minutos depois assinou o termo de bolsista (um documento preenchido via digital com chave de segurança) que dizia que eu estava apto a receber o benefício…

Enfim, iria fazer a tão sonhada faculdade… Nunca tentei um vestibular em universidade pública… A inscrição é cara e a isenção é de uma burocracia que eu não tinha tempo de encarar por conta da lida diária que todo pobre tem que enfrentar. Te pendem mais papeis do que a GESTAPO pedia pra comprovar que o indivíduo não era judeu pra no fim das contas te darem um sonoro não por haverem concedido as isenções no limite estabelecido… No ENEM não tem limite… Apesar de que, eu paguei a inscrição (R$ 35,00), mas este valor representava quase 1/4 do vestibular da UFMG (R$ 120,00) e paguei porque não me informei direito, pois poderia ter feito de graça!!!! Enfim… O povo perece por causa do conhecimento…

Passei a rir daquelas frases de camisetas dos alunos das universidades públicas:

“Não me leve a mal…A minha é federal!”

Pensei: A minha bolsa também…Só que sem greve!!!

Anúncios